sábado, 22 de agosto de 2015
Mais um poema que pode ser utilizado em prova e que JÁ caiu no ENEM, bom para ser trabalho com turmas do 3º ano:
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia a vossa porta:
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil, como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...
MEIRELLES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).
Pra nós das Gerais
Para nós das Gerais, texto gostoso para trabalhar em sala de aula ou numa prova. As variedades linguísticas. O adequado ou inadequado. O gostoso do vocabulário. As variantes linguísticas.
Você escolhe o que fazer com esse texto. Eu escolhi uma questão para prova do ensino médio, 3º ano.
Lembrando que esse fragmento caiu no ENEM de 2004. Para com os alunos do 3º ano sempre é bom lembrar!
Você escolhe o que fazer com esse texto. Eu escolhi uma questão para prova do ensino médio, 3º ano.
Lembrando que esse fragmento caiu no ENEM de 2004. Para com os alunos do 3º ano sempre é bom lembrar!
Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra num desses meus badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” – do verbo “varrer”. De fato, trata-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário, aquela que tem, no topo, a fotografia de uma “varroa”(sic!) (você não sabe o que é uma “varroa”?) para corrigir-me do meu erro. E confesso: ele está certo. O certo é “varrição” e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim porque nunca os vi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostra-lhes o xerox da página do dicionário com a “varroa” no topo. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção” quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela mas reclama sempre que o prato está rachado.
ALVES, R. Mais badulaques. São Paulo: Parábola, 2004 (fragmento).
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
80ª postagem
Para completar 80 postagens nesse blog malfadado, continuo com o meu desabafo.
Estou odiando lecionar português, não pela disciplina, mas pela falta de interesse dos alunos.
Tenho a impressão de que estou jogando pérolas aos porcos.
Pronto, falei!
Estou odiando lecionar português, não pela disciplina, mas pela falta de interesse dos alunos.
Tenho a impressão de que estou jogando pérolas aos porcos.
Pronto, falei!
O Museu da Língua Portuguesa é algo impressionante na sua concepção, interação e tecnologia a que tudo isso se alia às palavras em forma de poesia e prosa. Quem for a São Paulo, por favor, não deixe de visitar o Museu da Língua Portuguesa, aos sábados a entrada é gratuita e para quem não for aos sábados, o valor do ingresso é de 6,00 a inteira. Vale muito a pena ir.
http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/
http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Desabafo
Há dias em que é tão difícil lecionar. Ontem foi um dia assim. Uma noite por sinal, leciono à noite. O dia foi difícil e a noite muito demorada, as aulas de 50 minutos pareciam aulas de 150 minutos, mesmo tentando ser simpática, meus ouvidos doíam com o barulho das carteiras e disse aos alunos que se há barulho no inferno, não tenho dúvidas de que é de carteiras se arrastando. Insuportável.
Deus, já estou pagando meu quinhão nesta vida. Dai-me, por favor, outro destino, porque esse de lecionar para quem não está interessado não tá com nada.
Ontem uma aluna que só fica com celular na mão, deu uma gargalhada dentro de sala, já tive vários problemas de disciplina com ela. Aliás, não sei o que ela faz na escola, já que não leva caderno, não leva lápis, mas leva o celular. Insuportável.
Difícil, muito difícil e ainda tem gente que acha que o trabalho é fácil, porque "acham" que a gente "só trabalha quatro horas por dia". Quem me dera, quem me dera.
Deus, já estou pagando meu quinhão nesta vida. Dai-me, por favor, outro destino, porque esse de lecionar para quem não está interessado não tá com nada.
Ontem uma aluna que só fica com celular na mão, deu uma gargalhada dentro de sala, já tive vários problemas de disciplina com ela. Aliás, não sei o que ela faz na escola, já que não leva caderno, não leva lápis, mas leva o celular. Insuportável.
Difícil, muito difícil e ainda tem gente que acha que o trabalho é fácil, porque "acham" que a gente "só trabalha quatro horas por dia". Quem me dera, quem me dera.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Primeiro dia de aula
Ontem comecei o semestre letivo nos segundos anos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e o poema escolhido foi Momento de Mário de Andrade, escrito em abril de 1937. Trabalhei o texto escrito em forma de verso, expliquei a diferença entre o texto em forma de verso e o texto em forma de prosa, citei o exemplo do ENEM em que não é permitido textos em forma de verso e apenas em forma de prosa (parágrafos) e de quebra trabalhei algumas figuras de linguagem abordadas no 1º semestre, aproveitei a beleza do poema para falar das mudanças da vida, das escolhas, dos momentos que todos nós vivemos e da importância em reconhecer os tempos verbais usados pelo autor. Ainda falei da terminologia usada em muitos instituições de ensino do famoso "eu-lírico" e pedi para que os alunos comentassem sobre o que sentia o "eu-lírico" do poema. Ainda pedi para que não confundissem autor com narrador e com eu-lírico. Coisas distintas e que devem ser compreendidas pelo aluno para que ele não confunda. Abaixo o belíssimo poema de Mário Quintana:
Momento
O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.
Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranhacéus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera.
Em tempo: Preservei a ortografia do poema como em "arranha-céus", já que no dicionário consta arranha-céus. devido à mudança ortográfica. Fiquemos atentos! Abraços.
Momento
O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.
Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranhacéus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera.
Em tempo: Preservei a ortografia do poema como em "arranha-céus", já que no dicionário consta arranha-céus. devido à mudança ortográfica. Fiquemos atentos! Abraços.
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