terça-feira, 2 de maio de 2017
terça-feira, 18 de abril de 2017
Momento Desabafo
Ontem foi uma segunda feira tenebrosa porque entreguei as redações corrigidas para os meus alunos do 1 ano da EJA, são alunos entre 199 e 50 anos, estudantes do noturno e desde o início do ano letivo ressabiados com as aulas de português e com um estorvo chamado r e d a ç ã o. Nossa escola estadual tem por critério (louvável) dar um redação avaliativa no bimestre...sim...isso mesmo...no bimestre e antes o professor (que sou eu) trabalha possíveis temas com os alunos, pede redações para eles elaborarem e na medida do possível vai corrigindo individualmente as mesmas, chamando cada aluno em particular para fazer as observações e adequações necessárias, sem avaliá-los. Isso eu fiz com os que solicitaram esse atendimento individual, porque ele não é obrigatório. Pois bem, corrigi as redações, em cada uma delas escrevi um comentário e ontem foi o dia em que fui crucificada...porque a maioria não tirou a média de 60% em 8,0 pontos. Havia erros estruturais no gênero solicitado: argumentativo-dissertativo, as ideias eram repetitivas, os erros ortográficos enormes, sem falar nos erros de concordância nominal ou verbal. O tema da redação foi o desarmamento, para os estudantes se posicionarem a respeito do tema. A maioria não se posicionou, ficou em cima do muro, não tinha argumentos, copiou uma parte dos textos motivadores, não fizeram parágrafos, saltaram linhas, muitas letras foram ilegíveis. Ao entregar as redações, muitos não concordaram com a nota, falaram que eu intimido os alunos, que os deixo pra baixo e que não sei me expressar...ou seja, o problema é meu. E aí eu fico perplexa com a capacidade deles em distorcer os fatos, falaram que os professores paralisaram, que houve greve...sendo que dou aula para eles na sexta feira, último horário e em três aulas tive dois alunos apenas, o restante "matou" aula.
Não seja professor, se for faça por amor.
sábado, 8 de abril de 2017
http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR98941
Nós, servidores da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), profissionais e instituições envolvidos com a área de BIBLIOTECONOMIA e CULTURA, vimos, por meio desta, manifestar nossa veemente indignação e repúdio à atuação do Ministério da Cultura (MinC) no que diz respeito às discussões da legislação referentes ao Depósito Legal e à guarda de publicações digitais, bem como a retirada da servidora Luciana Grings do Grupo de Trabalho (GT) sobre o tema.
O Depósito Legal é um poder-dever concedido à FBN (como a todas as Bibliotecas Nacionais do mundo) para recolher um exemplar de todas as obras publicadas em território nacional. O objetivo do dispositivo legal é a preservação desta memória. Entendemos a descentralização do Depósito Legal como interferência em atos administrativos e processos, com o objetivo de desmonte da estrutura principal da FBN, órgão cuja missão fundamental é a preservação da memória bibliográfica brasileira.
Ressaltamos também o processo desrespeitoso pelo qual as discussões de revisão da legislação estão sendo conduzidas pelo MinC. A Biblioteca Nacional, principal interessada e implicada no sistema de Depósito Legal, não foi consultada a respeito da criação de um GT, composto de forma autocrática para a revisão da lei. Segundo matéria veiculada no site do MinC, em 16 de março de 2017, representantes de uma empresa transnacional de comércio eletrônico norte-americana, a Amazon, foram convidados pelo Ministro da Cultura, Roberto Freire, a participarem de “um Grupo de Trabalho [...] com o objetivo de analisar, discutir e propor reformas na legislação”. Somos enfaticamente contrários à inserção de uma empresa privada de fins comerciais em diálogos que envolvam a manutenção do patrimônio público brasileiro.
Diante desses inaceitáveis acontecimentos, prestamos apoio e endossamos as palavras da profissional servidora de carreira da FBN, Luciana Grings, coordenadora de Serviços Bibliográficos, sob o qual se encontra a área responsável pelo Depósito Legal. Após ser indicada como membro representante da FBN, em resposta ao Ofício do MinC nº 035/2017, de 06 de fevereiro de 2017, a funcionária sofreu retaliações por causa de entrevista realizada ao periódico online Biblioo, na qual criticava a postura do MinC. No último dia 05 de abril de 2017, a mesma foi removida do GT. Destacamos que a servidora foi escolhida para compor o grupo por sua capacitação profissional e produção de conhecimento acadêmico sobre o assunto, com publicações referentes à Lei. A remoção arbitrária de Luciana Grings do GT, além de perseguição política, configura uma censura de vozes dissonantes ao discurso e proposta da gestão atual do MinC.
Queremos, portanto, uma revisão da atitude tomada pelo MinC e pelo Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, órgão ao qual a FBN não está subordinada, através de uma retratação e retomada de decisões com protagonismo efetivo da principal instituição responsável pelo Depósito Legal, tal como o cancelamento do GT, instituído de forma autoritária e irregular, através de interferências administrativas. O GT, como está composto atualmente, fere os princípios da administração pública e ofende o interesse coletivo, pois intenta alterar uma legislação referente a processos técnicos fundamentais para a preservação do patrimônio nacional.
Assinam essa carta,
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDOS DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL (ASBN)
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO IPHAN (ASPHAN)
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA FUNARTE (ASSERTE)
NÃO ao desmonte da Biblioteca Nacional do Brasil
Para: Ao Ministério da Cultura
Nós, servidores da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), profissionais e instituições envolvidos com a área de BIBLIOTECONOMIA e CULTURA, vimos, por meio desta, manifestar nossa veemente indignação e repúdio à atuação do Ministério da Cultura (MinC) no que diz respeito às discussões da legislação referentes ao Depósito Legal e à guarda de publicações digitais, bem como a retirada da servidora Luciana Grings do Grupo de Trabalho (GT) sobre o tema.
O Depósito Legal é um poder-dever concedido à FBN (como a todas as Bibliotecas Nacionais do mundo) para recolher um exemplar de todas as obras publicadas em território nacional. O objetivo do dispositivo legal é a preservação desta memória. Entendemos a descentralização do Depósito Legal como interferência em atos administrativos e processos, com o objetivo de desmonte da estrutura principal da FBN, órgão cuja missão fundamental é a preservação da memória bibliográfica brasileira.
Ressaltamos também o processo desrespeitoso pelo qual as discussões de revisão da legislação estão sendo conduzidas pelo MinC. A Biblioteca Nacional, principal interessada e implicada no sistema de Depósito Legal, não foi consultada a respeito da criação de um GT, composto de forma autocrática para a revisão da lei. Segundo matéria veiculada no site do MinC, em 16 de março de 2017, representantes de uma empresa transnacional de comércio eletrônico norte-americana, a Amazon, foram convidados pelo Ministro da Cultura, Roberto Freire, a participarem de “um Grupo de Trabalho [...] com o objetivo de analisar, discutir e propor reformas na legislação”. Somos enfaticamente contrários à inserção de uma empresa privada de fins comerciais em diálogos que envolvam a manutenção do patrimônio público brasileiro.
Diante desses inaceitáveis acontecimentos, prestamos apoio e endossamos as palavras da profissional servidora de carreira da FBN, Luciana Grings, coordenadora de Serviços Bibliográficos, sob o qual se encontra a área responsável pelo Depósito Legal. Após ser indicada como membro representante da FBN, em resposta ao Ofício do MinC nº 035/2017, de 06 de fevereiro de 2017, a funcionária sofreu retaliações por causa de entrevista realizada ao periódico online Biblioo, na qual criticava a postura do MinC. No último dia 05 de abril de 2017, a mesma foi removida do GT. Destacamos que a servidora foi escolhida para compor o grupo por sua capacitação profissional e produção de conhecimento acadêmico sobre o assunto, com publicações referentes à Lei. A remoção arbitrária de Luciana Grings do GT, além de perseguição política, configura uma censura de vozes dissonantes ao discurso e proposta da gestão atual do MinC.
Queremos, portanto, uma revisão da atitude tomada pelo MinC e pelo Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, órgão ao qual a FBN não está subordinada, através de uma retratação e retomada de decisões com protagonismo efetivo da principal instituição responsável pelo Depósito Legal, tal como o cancelamento do GT, instituído de forma autoritária e irregular, através de interferências administrativas. O GT, como está composto atualmente, fere os princípios da administração pública e ofende o interesse coletivo, pois intenta alterar uma legislação referente a processos técnicos fundamentais para a preservação do patrimônio nacional.
Assinam essa carta,
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDOS DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL (ASBN)
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO IPHAN (ASPHAN)
ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA FUNARTE (ASSERTE)
Fonte: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR98941
quinta-feira, 6 de abril de 2017
A idade das trevas voltou.
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/04/1873366-ministerio-tira-identidade-de-genero-e-orientacao-sexual-da-base-curricular.shtml
Para mim o retrocesso destas medidas só indicam o atraso, a falta de respeito, o desdém pelo povo, pela diversidade e suas múltiplas facetas neste mundão de Deus.
Oremos.
Para mim o retrocesso destas medidas só indicam o atraso, a falta de respeito, o desdém pelo povo, pela diversidade e suas múltiplas facetas neste mundão de Deus.
Oremos.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Última entrevista de Zygmunt Bauman...
A epicúrea ausência de perturbações. A agostiniana "confirmação" de mérito e virtude. O benthamiano comprazimento do Eu na satisfação da necessidade do Outro. Até chegar ao reconhecimento civil e político de um direito humano, que a modernidade, não raramente, transformou em privilégio.
A reportagem é de Valeria Arnaldi, publicada no jornal Il Messaggero, 03-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A felicidade é um conceito – talvez utopia – sem tempo, mas, de fato, pela sua própria natureza, fortemente ligado à época de cujos valores e de cujas aspirações ele se faz imagem e parâmetro.
E, assim, em um momento histórico de crise, é precisamente ao confronto entre ideal de felicidade e sentimento de infelicidade que filosofia e sociologia olham para indagar a contemporaneidade.
Não é por acaso que a felicidade é um dos temas de pesquisa de Zygmunt Bauman, pai da chamada "sociedade líquida", agora entre os convidados do festival internacional de literatura "Leggendo Metropolitano", que ocorre até o dia 5 de junho, em Cagliari, Itália.
Eis a entrevista.
Professor Bauman, o que significa hoje "felicidade"?
A declaração de independência estadunidense proclamou, entre os direitos invioláveis do ser humano, a sua busca: um marco para a civilização ocidental. As ideias de felicidade são muitas, mas que podem ser remetidas a duas categorias. A visão mais popular é a de uma vida plena de momentos agradáveis, sem problemas e desafios. A outra nos foi mostrada por Goethe. Já idoso, ele foi perguntado se a sua vida tinha sido feliz. Ele respondeu que sim, mas que não se lembrava de uma única semana em que o tivesse sido. Isso implica que ser feliz não significa não ter dificuldades, mas superá-las.
A atualidade mudou essas visões?
Definir o que significa ser feliz é muito complexo. A própria ideia de felicidade parece conter em si o pressuposto da sua não existência no mundo. A felicidade deve ser conquistada, mas, no nosso sistema de consumidores, vendem-se promessas de promessas de algo que nos fará nos sentirmos melhor. O mercado, em teoria, deveria aspirar a satisfazer todas as necessidades.
Na prática, porém...
Satisfazer os consumidores, na realidade, é o pesadelo do mercado: envolveria não ter mais nada para vender. Os especialistas, portanto, sabem nos manter continuamente insatisfeitos. A publicidade nos promete que seremos felizes com o novo celular, por exemplo, mas ela tinha feito o mesmo para o modelo anterior e vai refazer o mesmo para o posterior. Porém, milhões de pessoas correm para comprar.
O capitalismo está condenado, portanto, à infelicidade?
A atitude do sistema encoraja a ideia de que há algo que pode resolver todos os problemas e alimenta constantemente tal convicção. Isso torna os momentos de felicidade muito curtos. O problema é que somos constrangidos a gastar o dinheiro que ainda não ganhamos para comprar coisas das quais não precisamos para impressionar pessoas que não nos importam muito. Esse é o caminho para alongar os momentos de infelicidade.
É preciso repensar o nosso modo de nos imaginarmos satisfeitos?
É preciso redescobrir o prazer de comunicar. Eu não me refiro aos tuítes, mas a conversas de verdade. Há uma grande diferença entre encontros virtuais e tradicionais. Para voltar aos acontecimentos ao estilo antigo, cada um deveria diminuir as suas próprias demandas, mas o mercado tenta levantar as expectativas e faz isso nos forçando a pensar, desde crianças, que cada momento de felicidade deve ser melhor do que o anterior. Cada instante desperdiçado é uma chance de felicidade perdida.
A sociedade líquida ainda é capaz de ser feliz?
A ideia da sociedade líquida é de que nada permanece por muito tempo. Vivemos em um mundo de constante novidade, em que envelhecemos cada vez mais rápido do que antes. Estamos em um espaço vazio. Gramsci definiu essa situação como um interregno em que as velhas regras desapareceram, e as novas não foram inventadas. Isso gera ansiedade.
E para que cenários a ansiedade nos leva?
Quando eu era estudante, os professores diziam que aprender nos torna mais ricos. Eu acho que a cultura contemporânea não está mais fundamentada na capacidade de aprender, mas de esquecer. Para aprender outros conceitos, você deve eliminar os velhos. A maior qualidade seria, por isso, a habilidade de esquecer. Na Itália e na Espanha, vê-se menos isso. Na França, Alemanha, Inglaterra, a questão é evidente e é uma reação ao medo.
A crônica nos revela que muitos gostariam de respostas mais duras por parte da política: o medo está criando espaço para o retorno de regimes fortes?
Estamos voltando 200 anos atrás nas lutas por democracia e liberdade. Agora, desejam-se mais regras. Segurança e liberdade são valores fundamentais para a dignidade humana. A segurança sem liberdade é escravidão. A liberdade sem segurança é um tipo de deficiência. As pessoas, por séculos, procuraram equilibrar as coisas, e isso não funcionou. Cada passo em frente para a liberdade requer que se renuncie a uma parte da segurança. Cada passo rumo a uma maior segurança envolve renunciar a um pouco de liberdade. Não há um caminho direto para ter cada vez mais de uma ou da outra. É um pêndulo que oscila, empurrando para a mudança.
Hoje, oscilamos para a segurança.
Muitas pessoas, em diferentes partes do mundo, parecem ir na direção da renúncia a mais liberdades em favor da segurança, desejando uma situação mais estável. É a tendência atual. Ainda estamos em uma sociedade líquida, mas em que nascem sonhos de uma sociedade menos líquida.
Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/555960-felicidade-privilegio-para-todos-entrevista-com-zygmunt-bauman
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