domingo, 19 de maio de 2013

Sai na folha

19/05/2013 - 02h02

Por que o inferno é aqui, e o paraíso, também

HÉLIO SCHWARTSMAN
COLUNISTA DA FOLHA
RESUMO O estudo de sistemas complexos, tão caro à ciência atual, está na origem de dois livros que tecem prognósticos opostos sobre o futuro da humanidade. Enquanto para John Casti os avanços tecnológicos podem nos levar ao descontrole e ao fim, para Peter Diamandis e Steven Kotler, eles nos aproximam de uma era de abundância.
*
O fenômeno é o mesmo --a complexidade--, mas, para um autor, ela trará a redenção da humanidade, na forma de energia e recursos inesgotáveis, enquanto, para o outro, implicará o colapso geral da sociedade. Para tornar as coisas um pouco mais complexas, é perfeitamente razoável sustentar que ambos estão certos.
Se queremos tornar a discussão pelo menos inteligível, convém começar pelo começo.
Numa definição para lá de problemática, "complexidade" é o termo que usamos para caracterizar sistemas compostos por muitas partes, que interagem de diversas maneiras, produzindo resultados que vão além da soma de seus componentes e são frequentemente imprevisíveis. O estudo de sistemas complexos e seus parentes, como a teoria do caos, emergência, dinâmicas não lineares, auto-organização, comportamento coletivo, abordagens holísticas etc., é a nova coqueluche da ciência.
O problema com a complexidade, como já insinuei no parágrafo acima, é que, além de ser complicada, ela anda perigosamente perto da imprevisibilidade ou, pelo menos, de diferentes graus de opacidade em relação ao futuro.


Editoria de Arte/Folhapress
Ilustração de Caco Galhardo para a edição de 19 de maio da "Ilustríssima"
Ilustração de Caco Galhardo para a edição de 19 de maio da "Ilustríssima"     

Para tornar o conceito um pouco menos abstrato, vale recorrer a um exemplo concreto. Pense numa carroça. Ela não é muito complexa. Você olha para o boi, as rodas, o eixo etc. e entende mais ou menos o que faz cada parte. Se ela quebrar, você pelo menos sabe qual peça precisa ser reparada ou substituída. Considere agora um avião moderno. Ele é complexo. Nenhuma de suas partes voa, mas elas interagem de forma a que o aparelho possa fazê-lo. E nem pense em consertar em casa o seu Airbus.
A complexidade não se limita a engenhocas. Ela também está presente em fenômenos naturais, como a meteorologia, e, principalmente, humanos. Há poucas coisas mais complexas do que a economia, por exemplo. Nela, milhões de agentes fazendo a mesma coisa quase sempre produzem efeitos qualitativamente diferentes dos que geraria uma única pessoa agindo deste modo.
INFERNO
Como a complexidade se relaciona à destruição ou à salvação da nossa espécie? Seguindo o modelo de Dante, comecemos pelo Inferno. Aqui, nosso guia não é o poeta Virgílio, mas o matemático John Casti, especializado em teoria dos sistemas, que já lecionou em Princeton e nas universidades do Arizona e de Nova York, autor de "O Colapso de Tudo" [trad. Ivo Korytowski e Bruno Alexander, Intrínseca, 352 págs., R$ 29]. O subtítulo da edição brasileira é ainda mais ameaçador: "Os Eventos Extremos que Podem Destruir a Civilização a Qualquer Momento".
A primeira parte da obra traz uma explicação razoavelmente didática da complexidade e apresenta a noção de eventos X, que são acontecimentos relativamente raros, muito difíceis de prever (senão quanto ao "o quê", pelo menos quanto ao "quando") e que causam enorme impacto para grande número de pessoas. Estamos falando de coisas no patamar do 11 de Setembro ou da crise de 2008.
Não pretendo chatear o leitor descrevendo as propriedades matemáticas da complexidade e como ela se relaciona com os teoremas da incompletude de Gödel, mas creio que vale a pena destacar alguns dos sete princípios elencados por Casti, já que eles nos ajudam a entender melhor com que bicho estamos lidando.
O primeiro, que leva o nome de emersão, é justamente o fato de o todo diferir da soma das partes, como é o caso do seu Airbus.
O segundo princípio a merecer algum detalhamento é o mundialmente famoso efeito borboleta, um emblema da teoria do caos. A história de sua descoberta já revela suas propriedades.
O matemático Edward Lorenz testava modelos meteorológicos nos primeiros computadores --era 1960. Em certa ocasião, resolveu projetar cálculos no futuro, mas se serviu de dados que tinha numa planilha impressa para alimentar a máquina, em lugar de refazer tudo desde o princípio. No fim, os resultados do modelo original não batiam com os das projeções.
A diferença, Lorenz perceberia, tinha origem prosaica: na primeira conta, os dados numéricos iam até a sexta casa decimal, enquanto nas projeções iam só até a terceira, devido ao limite da impressora.
A diferença entre a terceira e a sexta casa --digamos, a diferença entre os números 0,506127 e 0,506-- bastou para "produzir" climas totalmente distintos. Como ela era pequena demais para ser detectada pelos instrumentos meteorológicos existentes à época, Lorenz concluiu que teria sido possível que o bater de asas de uma gaivota provocasse, semanas mais tarde, um furacão do outro lado do mundo. A gaivota, para fins poéticos, virou borboleta, o que não mudou o conceito que diz que sistemas caóticos são patologicamente sensíveis a mudanças minúsculas no estado inicial.
O terceiro princípio que me parece mais relevante é a chamada lei da variedade necessária. Ela basicamente postula que, numa interação entre dois ou mais sistemas, aquele encarregado de exercer a regulação sobre o(s) outro(s) precisa ter pelo menos o mesmo nível de complexidade do(s) controlado(s). Se eles estão em patamares diferentes, é muito possível que sobrevenha um evento X para reequilibrar o jogo.
Um exemplo concreto é o do coletor de impostos. De um modo geral, ele conta com uma variedade de ações para cobrar que é muito menor do que as disponíveis para contadores, advogados e contribuintes evitarem o pagamento.
Como não é muito sábio conferir superpoderes a agentes públicos, a melhor forma de reduzir a diferença é diminuir a variedade de instrumentos ao alcance dos sonegadores. Isso se faz reduzindo a quantidade de leis, decretos, portarias e regimes de exceção (a complexidade) do sistema tributário.
TRAGÉDIAS
Deixemos, porém, as questões teóricas e passemos ao ponto alto do livro de Casti, que é o guia das tragédias prestes a nos atingir. São 11 capítulos que fazem a alegria dos pessimistas, mostrando tudo o que pode dar errado. Os títulos e/ou subtítulos das seções são autoexplicativos: apagão digital, o esgotamento do sistema global de alimentos, um pulso eletromagnético destrói todos os aparelhos eletrônicos, o colapso da globalização, destruição da Terra pela criação de partículas exóticas, a desestabilização do panorama nuclear, o fim do suprimento global de petróleo, uma pandemia global, falta de energia elétrica e de água potável, robôs inteligentes sobrepujam a humanidade, deflação global e o colapso dos mercados financeiros mundiais.
São precisos altos níveis de paranoia para levar muito a sério certos cenários descritos pelo autor, como aquele em que um colisor de partículas acaba criando um buraco negro que suga o nosso planeta para sabe-se lá onde, ainda que eles sejam teoricamente possíveis.
Mas mesmo um realista tranquilo tem de admitir que vários dos casos levantados são não apenas verossímeis como prováveis. Ainda que não na escala imaginada por Casti, vários países já foram atingidos por blecautes mais ou menos generalizados. O problema fundamental é que os avanços tecnológicos cada vez mais complexos dos quais nos tornamos dependentes nos tornam extremamente vulneráveis a falhas nos sistemas.
Pior: como os próprios sistemas tendem a integrar-se e tornar-se dependentes uns dos outros, nossa vulnerabilidade aumenta: muitos dias sem energia significam não só falta de luz, mas também de água (que é bombeada), alimentos (que precisam ser resfriados), comunicações etc. Os distúrbios podem ser raros, isto é, os sistemas são individualmente seguros, mas, se dermos tempo suficiente, é certeza que eles ocorrerão.
Para dar uma ideia mais precisa de "colapso", vejamos mais de perto o que ele tem a dizer sobre a falta de comida que cedo ou tarde nos matará a todos. Casti começa o capítulo lembrando que existem pragas botânicas e cita o terrível fungo Phytophthora ramorum, que pode destruir florestas inteiras de árvores e pula de uma espécie para outra. Imagine agora uma mutação no Phytophthora que o torne capaz de infectar grãos e não apenas árvores, e os dias da humanidade estão contados.
Na sequência, ele se põe a analisar outras ameaças que pairam sobre as culturas vegetais, como a misteriosa morte das abelhas (que são agentes polinizadores), a escassez de água, a erosão dos solos, as mudanças climáticas, o aumento dos preços de petróleo e a maior produção de biocombustíveis, o crescimento da população. Nesse mundo, até uma boa notícia, como o enriquecimento de nações mais pobres (e o consequente crescimento da demanda), se torna um problema.
Antes de comprar seu jazigo no cemitério mais próximo, convém dar uma olhadela no outro lado da complexidade. Para nos servir de guia na viagem ao paraíso, escolhi não Beatriz, mas Peter Diamandis e Steven Kotler, autores de "Abundância - O Futuro É Melhor do que Você Imagina" [trad. Ivo Korytowski, HSM, 424 págs., R$ 69].
Diamandis é um milionário com formação em engenharia espacial, genética e medicina. Kotler é jornalista científico. Ambos são seguidores do futurólogo Ray Kurzweil e membros ativos da Singularity University (SU), o "think tank" que pretende promover tecnologias que revertam para o bem da humanidade.
Quem leu "Cândido", de Voltaire, deve se lembrar do dr. Pangloss, o personagem doentiamente otimista inspirado em Leibniz. Pegue o otimismo de Pangloss, eleve-o a uma potência bem grande e você chegará perto do que diz o pessoal da SU. Para eles, estamos prestes a entrar numa era de superabundância, na qual tecnologias tornarão itens essenciais tão baratos que todos os habitantes da Terra terão acesso a bens e serviços até há pouco ao alcance apenas dos muito, muito ricos. E tudo isso no horizonte de uma geração.
O motor de tamanho progresso é a complexidade, mais especificamente o caráter exponencial do desenvolvimento tecnológico. Vale a pena dedicar algumas linhas a explicar melhor esse conceito.
Não faz muito tempo, o mundo era um lugar linear. Um músico até o século 19, por exemplo, recebia pelo número de execuções que fosse capaz de fazer. Sua plateia era limitada ao número de assentos no local de exibição e, se ele queria um par de trocados a mais, tinha de fazer uma apresentação extra.
Vieram, porém, o fonógrafo, a indústria do entretenimento, os computadores e entramos num universo exponencial. Hoje, um músico pode ficar milionário compondo uma única peça que faça sucesso. A casa cheia do mundo exponencial já não se restringe ao número de cadeiras no teatro, mas aos milhões, talvez até bilhões de terrestres que se disponham a baixar a canção em seus iPods.
A contrapartida disso é que a vida ficou mais difícil para os profissionais que não tiram a sorte grande (a maioria deles). Antes, eles tinham uma espécie de reserva de mercado, que era dada pela proximidade física necessária para escutar os sons emitidos pelos instrumentos. Essa barreira foi rompida. O trompetista do bar de jazz perto da sua casa concorre com todos os trompetistas do mundo, cujas performances estão disponíveis na internet.
LEI DE MOORE
A tecnologia, muito mais do que os músicos, se beneficia desse caráter exponencial. A rapidez e a precisão do computador para fazer contas permitem a criação de programas mais sofisticados, que ajudam a produzir componentes mais eficientes, que melhoram a performance dos computadores, que... No final do processo, temos coisas como a Lei de Moore, segundo a qual os aparelhos dobram sua rapidez a cada 18 meses. E pelo mesmo preço.
Isso, é claro, tem impacto na vida das pessoas. Num exemplo citado pelos autores, hoje, um guerreiro massai com seu smartphone tem acesso a mais informações do que dispunha o presidente dos EUA apenas 15 anos atrás.
Para Diamandis e Kotler, revoluções semelhantes estão para acontecer no acesso a água, alimentos, energia, educação e saúde. No que é provavelmente o aspecto mais interessante do livro, a dupla descreve dezenas de pesquisas, algumas bem adiantadas, que poderão em breve mudar a face do mundo. São coisas como membranas que dessalinizam a água, carne (sem colesterol) sintetizada em tubos de ensaio, reatores nucleares portáteis (e seguros) e telefones celulares que realizam exames de sangue e fornecem diagnósticos de doenças a seus donos.
No ensino, eles preveem nada menos do que "educação praticamente gratuita e personalizada para qualquer um em qualquer lugar". Isso seria possível graças à convergência da "computação infinita com a inteligência artificial, a banda larga ubíqua e os tablets de baixo custo". Evidentemente, uma população muito mais instruída seria capaz de fazer a tecnologia avançar muito mais.
Num exemplo bem escatológico, Diamandis e Kotler falam da verba que a Fundação Bill e Melinda Gates disponibilizou para reinventar a privada. A ideia aqui é desenvolver tecnologias que permitam às pessoas ir ao banheiro sem gastar água nem precisar construir esgotos e, é claro, sem contaminar todos à sua volta.
Em teoria, é possível queimar a matéria fecal e produzir energia suficiente para transformar a urina em água potável e alguns poucos resíduos sólidos. Na verdade, como a queima das fezes expelidas por um ser humano típico dá um megajoule por dia, até sobraria um pouco de energia para carregar o seu celular. As tecnologias para isso já existem. O desafio é juntar tudo a um preço acessível.
Vale destacar aqui que o mentor Kurzweil vai além do que dizem os autores de "Abundância" e prevê para breve uma singularidade tecnológica, na qual o passo dos avanços seria "tão rápido que pareceria infinito". Isso culminaria na criação de uma superinteligência artificial, que nos permitiria manipular características humanas como o desempenho intelectual e sensorial, levando a uma era transumana. Evidentemente, aqui já nos afastamos do terreno das especulações inspiradas na ciência para nos aproximar perigosamente da religião em estado puro.
Quem tem razão? Casti ou a dupla Diamandis/Kotler? O colapso ou a singularidade?
Como destacamos no início do texto, ambos são consequências lógicas possíveis da maior complexidade tecnológica que trouxemos para nossas vidas. Excluídos os cenários mais catastróficos, que impliquem a extinção da humanidade, dificilmente poderemos cravar que um dos lados tenha triunfado.
A razão é que não há linha de chegada definida. Eventos X deverão se alternar com conquistas tecnológicas com potencial para transformar nossas vidas, condenando-nos a uma espécie de maldição de Cassandra, na qual as previsões mais otimistas serão desmentidas por acontecimentos trágicos, e visões muito pessimistas serão rechaçadas por avanços claros.
Por ora, Diamandis/Kotler estão com a vantagem. Para começar, nós ainda estamos aqui. De resto avanços científicos e tecnológicos respondem pelo fato de vivermos hoje mais e, em termos materiais, muito melhor do que nossos antepassados. A expectativa de vida ao nascer saltou de 26 anos na Idade do Bronze para quase 70 anos hoje, chegando a 80 nos países desenvolvidos. A captura de calorias passou de cerca de 2.000 por pessoa por dia, a alimentação mínima necessária para sobreviver, para perdulários 228 mil no Ocidente.

sábado, 18 de maio de 2013

DENOTAÇAO E CONOTAÇÃO

Se há uma matéria que gosto de lecionar é esta: Denotação e Conotação, porque é por meio dela que o Português fica gostoso e podemos brincar com as palavras. E quem é que não gosta de brincar com o som e principalmente, com a semântica delas???
O assunto para ser compreendido sem dúvidas pelos alunos, deve passar primeiro pelo contexto. Ou seja, para que o aluno entenda o significado de uma palavra ele precisa conhecer o contexto em que a palavra está inserida. Um exemplo simples que dou em sala de aula e que faz efeito é com a palavra pastel.
Ao procurarmos o significado da palavra pastel no dicionário podemos encontrar várias acepções para ela:
substantivo masculino
1
Rubrica: culinária.massa de farinha de trigo, com recheio salgado ou doce, que se frita ou assa
2
Rubrica: culinária. Regionalismo: Portugal.bolinho salgadoEx.: p. de bacalhau 3 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.indivíduo enfadonho, aborrecido
4
Regionalismo: Minas Gerais, Rio de Janeiro. Uso: informal.indivíduo lerdo, pateta
5
Rubrica: artes gráficas.na caixa tipográfica, a mistura de tipos dentro dos caixotins; gralha, erro tipográfico devido ao empastelamento das letras ou matrizes
Fonte: Houaiss



Você poderá usar a palavra em vários momentos e dependendo do contexto ela terá significados diferentes.
Então, quando quiser chamar aquele cara que não repara em você, você poderá considerá-lo um verdadeiro pastel (cuidado que pode ser ofensivo demais para a pessoa que recebe esse chamativo)
Nesse caso do cara pastel...o vocábulo pastel tem uma classificação gramatical de adjetivo, você qualifica alguém de pastel.
Ex. Marcelo foi um verdadeiro pastel !

Se for o pastel da padaria da esquina, você vai pensar na massa de farinha de trigo com recheio doce ou salgado.

Ex. Comi um pastel delicioso na padaria Veneza! A palavra pastel aí adquire o status de substantivo.

E há também as cores e os variados tons de pastel que você pode usar na parede de sua casa.

Ex. Gostei da cor pastel na parede da sala. Ficou aconchegante!

Nesta frase, pastel também adquire a classe gramatical de adjetivo que qualifica a palavra cor...
Mas atenção: Se você apenas usa o vocábulo pastel para substitui cor, a palavra transforma-se em substantivo...então vamos lá:
Ex.1 Gostei do pastel na parede da sala. Ficou aconchegante!!!

Muito bem, e é aí que entra o tópico deste post.
Os sentidos conotativos e denotativos para as palavras.
Para você compreendê-los, você deve ficar atento ao contexto em que a palavra está inserida como no último exemplo:
Se você estiver completamente desconectado da realidade, você pode achar que é um pastel de padaria que está pregado na parede (!!!!).
Se você souber que existem cores pasteis, haverá um conhecimento prévio e um entendimento amplo do que está send dito. Portanto, pastel é a cor da parede.

Se eu falar que Marcelo foi pastel comigo...Você vai pensar que Marcelo em alguma situação foi lerdo comigo, não entendeu o que eu queria dizer...

O sentido denotativo expressa o sentido usado no seu princípio primário. É a massa que cobre o recheio doce ou salgado.

O sentido conotativo expressa o sentido derivado da palavra pastel: como lerdo, chocho.

Para interpretarmos bem um texto é necessário observarmos o contexto em que ele está inserido...é um texto de ficção ou de não ficção? É um texto do século atual ou do século passado? Qual o conhecimento prévio que tenho do assunto? Qual o gênero textual? Como classifico esse texto? Comédia, drama, informativo, poético, instrucional ?
Depois de ter respostas para estas perguntas começo a depreender as palavras que estão no sentido conotativo e no sentido denotativo. Começo a compreender melhor o texto.

E outra dica importante é não deixar de lado o dicionário. Tenho vários. São meus amigos, companheiros.
Espero que eu tenha conseguido passar alguma coisa sobre esses sentidos.





terça-feira, 23 de abril de 2013

Entrevista da Carla Coscarelli à revista da Olimpíada da Língua Portuguesa

A Carla Coscarelli foi minha professora na FAFI-BH, em 1993, e tenho muito orgulho em dizer isso:
Segue a entrevista que ela deu à revista sobre Leitura.
Sendo professora, acho de grande valia as dicas que ela dá, mas fico também pensando na falta de infraestrutura para realizar um trabalho como ela propõe, uma vez que a SEE só pensa em números e objetividade, quando a prática de leitura é algo muito mais além...


O professor, o aluno e a leitura

Luiz Henrique Gurgel
Cida Laginestra
Regina Clara
 



Uma conversa com a pesquisadora e especialista no ensino da leitura, Carla Coscarelli. Ela é professora e pesquisadora do Ceale (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Coscarelli fala de questões importantes relativas a uma das ações mais delicadas e complexas do trabalho do professor: o ensino da leitura.

São frequentes as notícias de que muitos alunos terminam o Ensino Fundamental sem saber ler. Isso realmente acontece?

A linguagem e a leitura são competências que as pessoas precisam desenvolver. É preciso procurar formas de detectar o problema e propor ações para solucioná-lo. Às vezes a escola não sabe como lidar com a leitura. Então, quando eu penso em modelo de leitura, busco integrar uma série de estudos. Quando se analisa o livro didático, percebe-se que a maioria das atividades é de localizar a informação, identificar qual é o tema do texto e dar uma opinião ou sair do texto. Trabalha-se pouco com o léxico, a sintaxe, a inferência. Aí, quando chegam as avaliações em massa, como do SAEB [Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica], ENEM [Exame Nacional do Ensino Médio], há um buraco enorme. Constata-se o que a escola ensina e as crianças conseguem se sair bem, por exemplo, localizar informações no texto, dar uma opinião ou extrapolar ou depreender o tema. Mas nas operações inferenciais, tão fundamentais na leitura, os estudantes não se dão bem. Isso precisa ser trabalhado e ainda não foi incorporado pela escola, pelo livro didático. Eu penso a leitura muito como operação mental, como um processo ativo do leitor, em que o professor pode interferir e ajudar.

Como o professor lida como esse tipo de problema, habitualmente?

Quando o professor fala que o menino não sabe ler, ele não está conseguindo identificar qual é o problema que ele tem. Depois de oito, dez anos de escola, não é possível que o menino não saiba ler. Ou ninguém fez nada durante esse tempo todo com ele, ou tem alguma habilidade de leitura que ele não conseguiu superar e ninguém o ajudou. Existem graus de leitura, graus de severidade de leitura. Uma hora, alguém tem que se sentar com esse menino e ensiná-lo, conquistar os pequenos espaços.

Em geral, os professores sabem que ler pode ter vários significados?

A questão metodológica da leitura é embolada. Não se tem muita clareza de como é que se propõe uma boa aula de leitura. A aula de leitura, às vezes, é o professor pedir ao estudante que leia o texto e responda às questões do livro. Não se planeja atividades para se detectar o problema de leitura, nem para ajudá-lo a superar a dificuldade. Você precisa pegar na mão, mostrar, fazer junto, propor situações, servir de ponto de partida. É para dar soluções para as coisas. O menino, às vezes, não consegue ler porque o vocabulário atrapalhou, faltou conhecimento O que é que você faz se durante a leitura encontra uma palavra que não entende? Normalmente, se vai ao dicionário. Olhar no dicionário não é a única possibilidade. Você pode pensar um sentido que caiba nesse lugar, inferir, sacar. Se eu não conseguir, vou perguntar para alguém, dar um jeito, buscar solução. Tem um outro agravante: o ensino de língua portuguesa. A aula ainda é muito pautada no saber da gramática tradicional: frase, oração, estrutura de oração e da sintaxe. A escola perde muito tempo no trabalho metalinguístico e se esquece das estratégias de leitura. O que eu tenho visto é que não se trabalha a leitura, é como se o menino aprendesse o tempo inteiro pela experiência. O professor não tem clareza das habilidades que tem que desenvolver, por onde começar. Quais habilidades o estudante precisa ter para lidar com os textos narrativos, jornalísticos, o poético; com o grau de dificuldade dos textos, a sonoridade, a complexidade do vocabulário e do conteúdo.

E o que mostram as avaliações de leitura?

O resultado das escolas brasileiras no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) - é terrível. A avaliação aborda questões que a escola não trabalha: referência, texto multimodal, relação de textos diferentes, inferência. São raras as didáticas que extrapolam do texto, que instigam a fazer inferência com dados de partes diferentes do texto. A lista do SAEB tem mais de vinte descritores, mas só três ou quatro deles são contemplados nas atividades dos livros didáticos. É possível fazer um planejamento e trabalhar a leitura em progressão. Das habilidades mais fáceis, por exemplo, as narrativas que os estudantes têm muito contato, desde pequenos, nos livros de literatura para os textos mais complexos, como os argumentativos. Eu gosto de trabalhar com um conjunto de textos de vários gêneros, contemplando diversas habilidades. Então, num artigo de opinião, vamos recuperar qual é a tese, quais são os argumentos, como é que o texto é construído, qual é o argumento contra, o argumento a favor, a opinião. O que é fato? O que é opinião? São elementos que a gente precisa identificar e se posicionar diante daquele texto. Outra possibilidade é ler e comparar várias versões de um mesmo conto, por exemplo, o Chapeuzinho Vermelho escrito por Charles Perrault , pelos Irmãos Grimm, ou ainda o Chapeuzinho Amarelo, do Chico Buarque. Eu fico pensando na pesquisa escolar que envolve leitura, busca, curiosidade. O menino corre atrás de um tema, mas sem orientação, recorte, foco. Como fazer pesquisa sem uma pergunta norteadora?

A leitura está presente na formação do professor?

Agora vou assumir a minha culpa. A universidade tem poucas disciplinas para trabalhar a leitura estritamente. Parte-se do pressuposto que os alunos que chegam à universidade são leitores maduros, não precisam desenvolver a leitura. E poucas disciplinas lidam com a leitura do ponto de vista pedagógico, didático. A universidade tem que rever a formação do professor que vai trabalhar com leitura, como ensinar leitura, a metodologia. Porque, às vezes, o professor começa a treinar algumas habilidades que vai cair naquele teste, em prova. Mas não trabalha aquilo de uma forma interessante, de modo que o texto ganhe vida, desperte o gosto pela leitura, a curiosidade de saber mais, a paixão pelos livros. É aí que mora a riqueza. Eu acho que a escola afoga esses meninos com muito conteúdo e o perguntar vai ficando meio guardadinho. O professor precisa pôr o menino para pensar, fazer perguntas, tentar buscar respostas e discutir com o colega, de pensar várias respostas para a mesma coisa. Não tem o certo, o errado, mas tem o possível e o impossível, o bem argumentado e o mal argumentado. É preciso deixar de lado a velha aula expositiva em que o professor fala e os alunos ficam calados.

O que significa ser um bom leitor?

É uma pergunta difícil. Alguns textos são mais comuns no nosso cotidiano. Não se pode falar que tem que ser bom leitor de tudo: crônica, artigo de opinião, divulgação científica, texto de revista, jornais, livros de literatura. Muitos jovens são bons navegadores, mas não são bons leitores. Eles são bons buscadores de informação, mas quando eles acham a informação, o processamento daquela informação é muito raso, superficial. Na hora de ler com um grau de profundidade, fazer inferências, essa habilidade eles não têm, não conseguem avaliar a própria leitura. Outra coisa importante é dar um modelo de como é que se lê, fazer leitura oral com os estudantes. Como é que você lê um poema? Tem menino que lê um poema e lê uma notícia com a mesma entonação, do mesmo jeito. O professor pode levar para sala de aula um texto romântico ou um texto agressivo e perguntar para o grupo como fazer a leitura de cada um desses textos. Como é que é a entonação, a prosódia, a interpretação? Se você lê todas as personagens com a mesma voz, com a mesma entonação, não tem graça. O texto fica ruim. Agora, quando você faz aquele teatro vocal, monta a cor, o figurino, monta o som, você faz um cinema na tua cabeça. É uma outra coisa.
Saiba mais sobre leitura:


 

sábado, 30 de março de 2013


Estudo mede impacto do conhecimento do professor no desempenho do aluno

Medir o impacto do conhecimento do professor para o desempenho escolar do aluno pode soar, à primeira vista, uma tarefa difícil e sem sentido. Difícil porque os instrumentos para avaliar o quanto um docente conhece a disciplina que leciona são raros e, sem sentido porque, em tese, só ensina determinado assunto quem o conhece.
A pesquisadora Raquel Rangel Guimarães, que é estudante do doutorado em Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), porém, percebeu que esse era um fator importante para avaliar o aprendizado dos estudantes brasileiros e encontrou uma maneira de demonstrar isso.
Durante mestrado realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Raquel avaliou quais eram os fatores que, no Brasil, mais contribuíam para o bom desempenho escolar das crianças, medido por avaliações em grande escala. A qualificação do professor apareceu como determinante . O desafio seguinte foi verificar o tamanho desse impacto.
Raquel considerou, na pesquisa, as notas de estudantes da 4ª série do ensino fundamental e seus professores em provas de Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Na amostra, foram avaliados os dados de seis Estados brasileiros - os que tinham pior desempenho e fizeram parte do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) entre 1999 e 2003. São eles: Rondônia, Pará, Pernambuco, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Os resultados mostram que cada 10 pontos a mais tirados por um professor no teste representam um aumento de, pelo menos, um ponto na nota dos alunos. Os estudantes foram avaliados em uma escala de 0 a 100. Docentes e alunos prestaram as mesmas provas.
"Temos um efeito razoável e estatisticamente significante, que aponta a necessidade de investimento em políticas para a melhoria do conhecimento do professor do conteúdo que ministra", ressalta Raquel. Segundo ela, o efeito é duas vezes maior do que o observado em escolas públicas da Carolina do Norte, mostrado em um estudo de Charles Clotfelter, Helen Ladd e Jacob Vigdor, usado pelos pesquisadores para fazer comparações com o Brasil.
Dados escassos
As análises estatísticas feitas por Raquel e um grupo de colegas estrangeiros – Asha Sitaram e Shimpei Taguchi, de Stanford; Lucia Jardon, da Universidade de Zurique, e Lenora Robinson, da Harlem Village Academies – serão tema de palestra em um congresso da Population Association of America, em New Orleans, nos Estados Unidos, no dia 11.
"Infelizmente, os professores só participaram da avaliação em 1999. Seria fantástico se tivessem aplicado ao longo do tempo. É super difícil definir a qualidade do professor, o quanto ele sabe. O mais próximo que temos para definir um professor de boa qualidade é o conhecimento que ele tem da disciplina e o quanto ele sabe transmitir, que ainda não consegui estudar", afirma Raquel.
Segundo ela, os estudos na área ainda são escassos e deveriam ser mais explorados, porque podem direcionar políticas públicas. "Existe um potencial muito grande para investimento na qualificação do professor. Muitas vezes, parece óbvio mas o que percebemos é que há professores que não conhecem a disciplina que lecionam. É preciso melhorar a capacitação do educador", diz.















































    domingo, 3 de março de 2013

    Jornal em sala de aula

    O poder de um jornal não está só na possibilidade de formar opinião, mas no poder transformador de mostrar aos alunos que há muito para ser lido e aprendido nas páginas de um diário de notícias.
    Tive a iniciativa de pedir alguns exemplares do Jornal O Tempo para trabalhar Gêneros textuais em sala de aula e o resultado  não poderia ter sido melhor, ainda estamos estudando o jornal, mas houve discussões profícuas em torno do jornal, olhar mais atento às manchetes, leitura reflexiva e crítica do editorial e observação dos cadernos Magazine e Carro &Cia, encartes do Jornal "O Tempo".
    Um jornal na mão e várias ideias na cabeça, na E.E.Dr.Simão Tamm Bias Fortes -aula de Português-01/03/2013
    Além de proporcionar uma aula interativa e criativa, os alunos ficam animados e mais interessados nas aulas de sexta feira.
    Uma foto dos meus alunos do EJA com o jornal na mão e várias ideias na cabeça!