Transcrevo na íntegra texto que li no livro "A formação do Leitor" que é uma coletânea com vários autores ligados à área e organizado por Jason Prado e Paulo Condini, editora Argus - Rio de Janeiro - 1999.
Vamos a ele:
A pensar a fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a sai e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tornou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante nos grilhões que o encerram. Sem leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-lo com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas pra que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubesse o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista da sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há correntes, prisões tampouco. O que pode ser mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Final de contas, a leitura é um poder e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Belo texto heim? Se for usá-lo lembre-se de colocar a fonte.
Um abraço.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Ler é o grande lance!
Quanto mais você for um leitor (ativo) mais você escreverá melhor e maior. Ler não é uma atitude passiva, pelo contrário, exige um esforço enorme, porque faz com que você vá ao dicionário pesquisar as palavras que não conhece e se você for mais curioso faz com você pesquise o assunto, alguma expressão, algum nome que ainda não ouviu falar, portanto, quando nos propomos a ler, devemos ter estas atividades (atitudes) em mente: ir ao dicionário, pesquisar nomes, expressões e conhecer.
domingo, 25 de outubro de 2015
ENEM 2ª parte
Para professora, tema de redação do Enem tem a ver com a Lei do Feminicídio
Legislação que entrou em vigor em março serviu de mote para a produção dos textos dos alunos
Postado em em 25/10/2015 16:08 / atualizado em 25/10/2015 17:08
O tema escolhido na redação 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que aborda “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", era um dos cotados para ser escolhido nesta edição do concurso que serve de base para ingresso no ensino público particular. Ao contrário do assunto tratado no passado – a “publicidade infantil em questão no Brasil” – considerado surpresa, a argumentação a respeito da violência histórica sofrida por mulheres no país foi considerada mais tranquila por especialista, além de muito atual.
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- Redação é o grande desafio deste domingo, segundo dia de Enem
Violência contra a mulher é tema da redação do Enem 2015 Mercadante defende tema da redação e comemora queda na abstenção do Enem Candidatos aprovam tema da redação e avaliam matemática como prova mais difícil Pixinguinha, Cecília Meireles e Olavo Bilac são cobrados no 2º dia do Enem Tema da redação do Enem é comemorado por feministas Tema da redação do Enem movimenta as redes sociais
Professora de redação do Chromos Pré-vestibular Poliana Wink explica que a aprovação da Lei do Feminicídio (Nº 13.104/2015) pode ter sido ponto motivador para a escolha do tema pelo Ministério da Educação (MEC). O texto, publicado em março deste ano, altera o artigo 121 do Código Penal e torna o feminicídio um crime hediondo. “Com a aprovação da nova lei, em março, seria possível esperar algum tema relacionado. Por isso, já havíamos trabalhado o assunto com alunos em sala de aula no decorrer do ano”, afirmou a professora.
O feminicídio é caracterizado quando a mulher é assassinada justamente pelo fato de ser mulher. Podem ser os crimes cometidos com requintes de crueldade, como mutilação dos seios ou outras partes do corpo que tenham intima relação com o gênero feminino; assassinatos cometidos pelos parceiros, dentro de casa ou aqueles com razão discriminatória.
A regra prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, ainda, pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima. O Brasil é o 16º país da América Latina a aprovar uma lei que tipifica o feminicídio, como já fizeram Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, e outros.
Na prova de redação são avaliados aspectos relacionados às competências que devem ter sido desenvolvidas durante os anos de escolaridade. Os participantes devem defender uma tese – uma opinião – a respeito do tema proposto, apoiada em argumentos consistentes, estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual.
O feminicídio é caracterizado quando a mulher é assassinada justamente pelo fato de ser mulher. Podem ser os crimes cometidos com requintes de crueldade, como mutilação dos seios ou outras partes do corpo que tenham intima relação com o gênero feminino; assassinatos cometidos pelos parceiros, dentro de casa ou aqueles com razão discriminatória.
A regra prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, ainda, pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima. O Brasil é o 16º país da América Latina a aprovar uma lei que tipifica o feminicídio, como já fizeram Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, e outros.
Na prova de redação são avaliados aspectos relacionados às competências que devem ter sido desenvolvidas durante os anos de escolaridade. Os participantes devem defender uma tese – uma opinião – a respeito do tema proposto, apoiada em argumentos consistentes, estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual.
Acesso: 25 out 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Dia do Professor
Hoje é o dia do Professor! Convenhamos que não há muito o que comemorar numa Pátria que se diz "Educadora". Não há nada de saudável por aqui. Cada dia mais decepcionante... Poucos investimentos na educação, na mão de obra da educação...Um país onde não se respeita o voto, não há muito o que esperar! Por isso quero mudar de profissão.
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