segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A importância do Almanaque Biotônico Fontoura

Transcrevo abaixo o depoimento do colunista Edival Lourenço que escreve para o site BULA e que conta sua experiência como leitor. Seu texto é sobre a sua lista particular dos 26 livros que mudaram a vida dele. Vale a pena conferir porque ele escolheu o  Almanaque Biotônico Fontoura:

Almanaque Biotônico Fontoura

Pode parecer brincadeira, mas não é. Porque nem se trata de um livro. A gente morava num rancho de folhas de palmeiras, afastado de vizinhos. Naquele tempo e lugar o normal era que ninguém soubesse ler e escrever, a não ser os patrões. Minha mãe não lia, meu pai apenas soletrava, mas tinha dificuldades em reunir as sílabas em palavras, numa espécie de gagueira pré-leitura. Às margens de um rio, meu destino, como o das demais crianças, parecia já bem definido: ser analfabeto e trabalhador rural sem terra, como meus pais. Um belo dia um divulgador do Biotônico passou por lá. Fez degustação com uma colherzinha de chá da tintura para cada um de nós. Achei gostoso. Nem parecia remédio. Meu pai não tinha dinheiro para comprar. Mas enquanto esperava o almoço, o divulgador foi lendo o Almanaque. Fiquei encantado: como podia alguém correr os olhos sobre aquelas fileiras de formiguinhas mortas em cima do papel e ir falando coisas que eu achava tão bonitas?! Para minha alegria, ao ir embora, deixou um exemplar comigo. Como prestara atenção na leitura, eu repetia em voz alta as historinhas. Sempre que havia oportunidade de encontrar alguém eu sacava logo do Almanaque e “lia” para os interlocutores. Todo mundo fingia achar que eu sabia ler. Nunca me chamaram para ler algum bilhete ou carta de parentes. A partir de então, como efeito colateral daquela experiência, adquiri e reforcei a convicção de que eu iria estudar ainda, aprender a ler de verdade e escrever histórias como aquelas. Ninguém acreditava nisso, além de mim. Não existiam escolas num raio de 40 km e nem recursos havia para que eu fosse pra perto de uma delas. Meu pai não iria deixar seu meio de vida no sertão. Mas a roda da vida foi girando, orientada por esse propósito, de tal sorte que em 1963, aos 11 anos, com a venda de minha parte numa colheita de feijão, comprei meu primeiro enxoval de estudante e entrei pro curso primário, com o firme propósito de me tornar escritor. Mesmo não sendo um livro, o Almanaque do Biotônico Fontoura foi o texto mais importante de minha vida.

Para quem se interessar por toda a matéria segue link:
http://www.revistabula.com/4408-26-livros-que-mudaram-minha-vida-e-podem-mudar-a-sua/

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Texto de Guiomar de Grammont

Transcrevo na íntegra texto que li no livro "A formação do Leitor" que é uma coletânea com vários autores ligados à área e organizado por Jason Prado e Paulo Condini, editora Argus - Rio de Janeiro - 1999.
Vamos a ele:

A pensar a fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a sai e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tornou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante nos grilhões que o encerram. Sem leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-lo com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas pra que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.

É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente.  Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubesse o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista da sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há correntes, prisões tampouco. O que pode ser mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Final de contas, a leitura é um poder e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove  a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.


Belo texto heim? Se for usá-lo lembre-se de colocar a fonte.
Um abraço.

domingo, 29 de novembro de 2015


Que possamos aprender com nosso poeta baiano, Gilberto Gil, as metáforas, as sinestesias...

GILBERTO GIL - NÃO TENHO MEDO DA MORTE (2012)


Ler é o grande lance!

Quanto mais você for um leitor (ativo) mais você escreverá melhor e maior. Ler não é uma atitude passiva, pelo contrário, exige um esforço enorme, porque faz com que você vá ao dicionário pesquisar as palavras que não conhece e se você for mais curioso faz com você pesquise o assunto, alguma expressão, algum nome que ainda não ouviu falar, portanto, quando nos propomos a ler, devemos ter estas atividades (atitudes) em mente: ir ao dicionário, pesquisar nomes, expressões e conhecer.

domingo, 25 de outubro de 2015

ENEM 2ª parte

Para professora, tema de redação do Enem tem a ver com a Lei do Feminicídio

Legislação que entrou em vigor em março serviu de mote para a produção dos textos dos alunos

Postado em em 25/10/2015 16:08 / atualizado em 25/10/2015 17:08            
O tema escolhido na redação 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que aborda “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", era um dos cotados para ser escolhido nesta edição do concurso que serve de base para ingresso no ensino público particular. Ao contrário do assunto tratado no passado – a “publicidade infantil em questão no Brasil” – considerado surpresa, a argumentação a respeito da violência histórica sofrida por mulheres no país foi considerada mais tranquila por especialista, além de muito atual.
Saiba mais
Professora de redação do Chromos Pré-vestibular Poliana Wink explica que a aprovação da Lei do Feminicídio (Nº 13.104/2015) pode ter sido ponto motivador para a escolha do tema pelo Ministério da Educação (MEC). O texto, publicado em março deste ano, altera o artigo 121 do Código Penal e torna o feminicídio um crime hediondo. “Com a aprovação da nova lei, em março, seria possível esperar algum tema relacionado. Por isso, já havíamos trabalhado o assunto com alunos em sala de aula no decorrer do ano”, afirmou a professora.

O feminicídio é caracterizado quando a mulher é assassinada justamente pelo fato de ser mulher. Podem ser os crimes cometidos com requintes de crueldade, como mutilação dos seios ou outras partes do corpo que tenham intima relação com o gênero feminino; assassinatos cometidos pelos parceiros, dentro de casa ou aqueles com razão discriminatória.
A regra prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, ainda, pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima. O Brasil é o 16º país da América Latina a aprovar uma lei que tipifica o feminicídio, como já fizeram Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, e outros.

Na prova de redação são avaliados aspectos relacionados às competências que devem ter sido desenvolvidas durante os anos de escolaridade. Os participantes devem defender uma tese – uma opinião – a respeito do tema proposto, apoiada em argumentos consistentes, estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual.
Acesso: 25 out 2015

ENEM 2015 1ª parte

http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/2015/10/25/internas_educacao,701278/veja-o-gabarito-extraoficial-do-segundo-dia-de-provas-do-enem.shtml